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Leituras de setor

Atividade de M&A avança em 2026, puxada por poucos setores

Os atos de concentração no CADE somaram 482 operações de janeiro a julho de 2026. O crescimento de 6,2% veio concentrado em logística, construção e imobiliário.

Por Pedro Seidenthal | 12 de agosto de 2026

← ArtigosLeituras de setor8 min de leitura

Os atos de concentração protocolados no CADE somaram 482 operações entre janeiro e julho de 2026, 28 a mais do que no mesmo período de 2025. O aumento de 6,2%, porém, não representa uma retomada uniforme do mercado. A maior parte do avanço veio de logística, construção e imobiliário, enquanto energia e serviços profissionais perderam atividade.

Transporte e logística, sozinho, acrescentou 21 operações, o equivalente a 75% do crescimento líquido do período. Construção e imobiliário tiveram dez transações adicionais cada. Na direção contrária, energia elétrica e gás registrou 13 operações a menos e serviços profissionais e técnicos, sete a menos.

A composição também importa. As operações de M&A passaram de 356 para 379, acréscimo de 23 negócios. Compras e permutas de ativos somaram 101 operações, ante 98 em 2025. Duas operações foram classificadas como outros. Assim, mais de 80% do crescimento líquido veio de fusões, aquisições, incorporações, joint ventures e outros movimentos societários, e não da simples transferência de ativos.

Setor20252026Var.M&A 2026Ativos 2026Outros 2026
Indústria de transformação112111-191191
Financeiro e seguros7173+26580
Comércio e reparação de veículos7167-438281
Energia elétrica e gás5239-133810
Informação e comunicação2732+52750
Transporte e logística1132+212930
Construção1828+102080
Imobiliário1424+1012120
Serviços administrativos2022+21840
Serviços profissionais e técnicos1912-71020
Outros setores3942+331110
Total454482+283791012
As colunas de M&A, ativos e outros apresentam a composição de 2026. Serviços profissionais e extrativas tiveram 12 operações cada; serviços profissionais foi mantido entre os dez setores destacados por apresentar uma das maiores variações do período.

Indústria troca ativos por aquisições societárias

A indústria de transformação permaneceu praticamente estável, com 111 operações, ante 112 em 2025. A composição, porém, mudou de forma relevante.

O M&A industrial passou de 85 para 91 operações. Em sentido contrário, as compras de ativos diminuíram de 27 para 19. O setor não perdeu atividade societária; apenas realizou menos transações concentradas em ativos isolados.

Foram 53 operações entre empresas do mesmo mercado, o maior número entre todos os setores. Outras 29 envolveram mudança de controlador ou investidor sem sobreposição relevante, e 14 conectaram participantes de diferentes etapas da cadeia produtiva.

Fabricação de açúcar em bruto teve cinco transações. Laticínios e autopeças registraram quatro cada. Adubos e fertilizantes, alimentos para animais e fabricação de papel tiveram três operações cada.

Financeiro mantém volume

Financeiro e seguros teve 73 operações, duas a mais do que em 2025. O M&A permaneceu estável em 65 negócios, enquanto as transações com ativos passaram de seis para oito.

A composição concorrencial foi mais distribuída do que em outros setores: 19 operações representaram principalmente mudança de controlador ou investidor, 18 ocorreram entre participantes do mesmo mercado e 12 conectaram diferentes atividades da cadeia financeira.

Energia perde fôlego nas aquisições

Energia elétrica e gás passou de 52 para 39 operações. A queda de 13 negócios veio integralmente de duas frentes: nove operações de M&A a menos e quatro compras de ativos a menos.

As aquisições societárias caíram de 40 para 31. As aquisições de ativos passaram de cinco para apenas uma. As joint ventures permaneceram estáveis, com sete operações.

Entre os processos de 2026, 17 envolviam participantes com atuação no mesmo mercado, característica comum de consolidação. Cinco conectavam empresas de diferentes elos da cadeia, como geradores, comercializadores, fornecedores ou operadores de infraestrutura. Outros 14 não permitiam uma leitura concorrencial tão direta.

Geração de energia elétrica foi o principal subsetor operacional mapeado, com pelo menos 16 transações. Comercialização de energia teve quatro. Transmissão, bioenergia e biomassa, gás natural liquefeito e geração e infraestrutura registraram uma operação cada.

Tecnologia cresce com software e telecomunicações

Informação e comunicação passou de 27 para 32 operações. O M&A teve crescimento discreto, de 26 para 27, enquanto as compras de ativos passaram de uma para cinco.

Das 32 transações de 2026, 20 envolveram participantes do mesmo mercado, indicando uma atividade predominantemente voltada à consolidação. Software customizável e serviços de comunicação multimídia tiveram cinco operações cada. Inteligência artificial, software não customizável e telefonia fixa tiveram duas cada.

O aumento das compras de ativos mostra que parte da movimentação não ocorreu apenas por meio da aquisição de empresas inteiras. Carteiras, plataformas, infraestrutura e outros ativos específicos também tiveram maior presença.

Logística deixa de ser coadjuvante

O salto de logística, de 11 para 32 operações, foi o movimento mais relevante do período. O número de operações de M&A passou de dez para 29, enquanto as compras de ativos aumentaram de uma para três.

A abertura dos processos ajuda a entender a natureza desse avanço. Dezesseis operações foram classificadas pelo CADE como movimentos entre empresas que atuam no mesmo mercado. Em termos econômicos, são negócios com perfil de consolidação, nos quais um operador compra, incorpora ou se associa a outro participante da mesma atividade. Outras cinco envolveram principalmente mudança de controlador ou investidor, sem sobreposição concorrencial relevante.

O transporte aéreo regular de passageiros foi o subsetor mais ativo, com cinco transações. Navegação de apoio marítimo e transporte marítimo tiveram três cada. Operadores portuários e serviços marítimos offshore registraram duas operações cada.

O retrato não é o de uma única grande transação distorcendo a base. A atividade aparece em aviação, portos, navegação e serviços marítimos. Foram 19 aquisições, cinco contratos associativos, três joint ventures, três aquisições de ativos, uma fusão e uma incorporação.

Construção e imobiliário avançam juntos, mas por caminhos diferentes

Construção e imobiliário tiveram dez operações adicionais cada. Nos dois casos, o crescimento foi dividido entre movimentos societários e negociação de ativos.

Na construção, o M&A passou de 16 para 20 operações, enquanto as compras de ativos aumentaram de duas para oito. Incorporação de empreendimentos imobiliários concentrou 21 dos 28 processos do setor. Construção de edifícios teve quatro.

No imobiliário, M&A e ativos dividiram igualmente as 24 operações de 2026, com 12 cada. Aluguel de imóveis próprios teve seis transações e compra e venda de imóveis, cinco. Outras dez estavam associadas a fundos imobiliários e uma a holding.

Essa composição sugere dois movimentos simultâneos. Há consolidação e reorganização de sociedades, mas também compra direta de imóveis, projetos e participações em empreendimentos. Em construção, 15 operações ocorreram entre participantes do mesmo mercado. No imobiliário, foram 18, reforçando o peso de movimentos entre empresas, fundos e veículos já presentes no setor.

Serviços profissionais têm menor apetite por consolidação

Serviços profissionais e técnicos caiu de 19 para 12 operações. O movimento foi inteiramente explicado pelo M&A, que passou de 17 para dez transações. As compras de ativos permaneceram estáveis em duas.

Das 12 operações de 2026, nove envolveram empresas que atuam no mesmo mercado. Mesmo com menor volume, portanto, o setor continuou apresentando negócios com perfil de consolidação. A diferença é que houve menos compradores avançando sobre concorrentes ou empresas com oferta semelhante.

Consultoria em gestão empresarial teve três transações e estudos geológicos, duas. Serviços de engenharia, propriedade industrial, publicidade, intermediação de negócios, consultoria e tecnologia e soluções de descarbonização tiveram uma operação cada.

A queda foi mais intensa nas aquisições, que passaram de 15 para nove. Houve ainda uma joint venture e duas compras de ativos.

Os negócios submetidos ao CADE não representam a totalidade das transações realizadas no Brasil. A JK Capital acompanha os atos de concentração protocolados no CADE e publica mensalmente o Radar do CADE, que organiza compradores, alvos, grupos econômicos, setores, subsetores e estruturas das operações. O Radar acompanha as operações sujeitas à análise concorrencial, em geral aquelas que envolvem grupos econômicos com faturamento acima dos limites previstos na legislação. Por isso, a base oferece uma visão relevante dos movimentos de maior porte ou realizados por compradores mais representativos, mas não contempla diversas transações menores que não atendem aos critérios de notificação.

Na análise de subsetores, foram apresentados apenas os segmentos operacionais mais ativos em 2026. Não foram feitas comparações com 2025, pois holdings, fundos e sociedades de participação podem estar corretamente associados ao setor, mas não revelam necessariamente o negócio operacional controlado. Fonte: Radar do CADE, JK Capital. Dados de janeiro a julho de 2025 e 2026. Nota metodológica: para esta análise, aquisições, fusões, incorporações, joint ventures, contratos associativos, reorganizações societárias e formações de associação foram reunidos em M&A. Aquisições, arrendamentos e permutas de ativos foram agrupados em ativos. Dissoluções de joint ventures e encerramentos de contratos foram classificados como outros. Esses agrupamentos são utilizados apenas para a leitura editorial da base e não substituem a estrutura original de cada operação.

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