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Sala de reuniões em mármore do escritório da JK Capital, onde são discutidos artigos e análises de M&A

Leituras de setor

M&A e transações com ativos avançam em 2026, mas o crescimento vem de poucos setores

Os atos de concentração no CADE somaram 486 operações de janeiro a julho de 2026, alta de 7,0%. O avanço veio de logística, construção e financeiro, enquanto energia, indústria e comércio perderam atividade.

Por Pedro Seidenthal | 10 de agosto de 2026

← ArtigosLeituras de setor8 min de leitura

Os atos de concentração protocolados no CADE somaram 486 operações entre janeiro e julho de 2026, 32 a mais do que no mesmo período de 2025. O aumento de 7,0%, porém, não representa uma retomada uniforme do mercado. A maior parte do avanço veio de logística, construção e financeiro, enquanto energia, indústria e comércio perderam atividade.

Transporte e logística, sozinho, acrescentou 24 operações. Construção teve 14 transações adicionais e o setor financeiro, 13. Na direção contrária, energia elétrica e gás registrou 18 operações a menos, a indústria de transformação perdeu nove e o comércio, também nove.

A composição também importa. As operações de M&A passaram de 355 para 380, acréscimo de 25 negócios. Compras, arrendamentos e permutas de ativos somaram 103 operações, ante 98 em 2025. Três operações foram classificadas como outros, ante uma no ano anterior. Assim, quase 80% do crescimento líquido veio de fusões, aquisições, incorporações, joint ventures e outros movimentos societários, e não da simples transferência de ativos.

Setor20252026Var.M&A / 2026Ativos / 2026Outros / 2026
Indústria de transformação115106-986182
Financeiro e seguros7689+138090
Comércio e reparação de veículos7162-933290
Energia elétrica e gás5537-183610
Construção2135+142690
Transporte e logística933+243030
Informação e comunicação3029-12450
Serviços administrativos1923+41850
Imobiliário1219+78110
Extrativas1213+1751
Outros setores3440+63280
Total454486+323801033
As colunas de M&A, ativos e outros apresentam a composição de 2026. Indústrias extrativas e serviços profissionais tiveram 13 operações cada. O setor extrativo foi mantido entre os dez segmentos destacados pelo critério de ordenação da tabela.

Indústria recua apesar do aumento das aquisições

A indústria de transformação passou de 115 para 106 operações. A queda de nove negócios, porém, não veio das aquisições de empresas.

O M&A industrial permaneceu estável em 86 operações. As compras, arrendamentos e permutas de ativos caíram de 29 para 18. Duas operações foram classificadas como outros. Em outras palavras, houve mais aquisições de empresas, mas menos negócios envolvendo ativos isolados.

Foram 46 operações entre empresas do mesmo mercado, o maior número entre todos os setores. Outras 29 representaram principalmente a entrada de um novo controlador ou investidor, e 14 conectaram participantes de diferentes etapas da cadeia produtiva.

A produção de açúcar liderou a atividade industrial, com cinco transações. O segmento de autopeças teve quatro. Fertilizantes, papel e nutrição animal registraram três operações cada.

Financeiro ganha volume em diferentes estruturas

Financeiro e seguros teve 89 operações, 13 a mais do que em 2025. O M&A passou de 71 para 80 negócios, enquanto as transações com ativos cresceram de cinco para nove.

A composição concorrencial foi distribuída: 30 operações ocorreram entre participantes do mesmo mercado, em 26 predominou a entrada de um novo controlador ou investidor e 12 conectaram atividades diferentes da cadeia financeira.

Energia perde fôlego nas aquisições

Energia elétrica e gás passou de 55 para 37 operações. A queda de 18 negócios veio de duas frentes: 13 operações de M&A a menos e cinco transações com ativos a menos.

As aquisições societárias caíram de 41 para 28. As aquisições de ativos passaram de seis para apenas uma. As joint ventures permaneceram estáveis, com sete operações.

Entre os processos de 2026, 17 envolviam participantes do mesmo mercado, configuração comum em movimentos de consolidação. Quatro conectavam empresas de diferentes elos da cadeia. A geração de energia elétrica, transmissão e infraestrutura foram os elos mais ativos.

Tecnologia mantém volume, com mais ativos

Informação e comunicação passou de 30 para 29 operações. O M&A recuou de 29 para 24, enquanto as compras de ativos passaram de uma para cinco.

Das 29 transações de 2026, 18 envolveram participantes do mesmo mercado. Sistemas desenvolvidos ou adaptados para clientes específicos e telefonia fixa tiveram três operações cada. Inteligência artificial e serviços de banda larga e comunicação multimídia tiveram duas cada.

O aumento das compras de ativos compensou parte da queda das operações societárias. Carteiras, plataformas, infraestrutura e outros ativos específicos tiveram maior presença, embora o volume total tenha permanecido praticamente estável.

Logística deixa de ser coadjuvante

O salto de logística, de nove para 33 operações, foi o movimento mais relevante do período. O número de operações de M&A passou de oito para 30, enquanto as compras de ativos aumentaram de uma para três.

A abertura dos processos ajuda a entender a natureza desse avanço. Dezoito operações foram classificadas pelo CADE como movimentos entre empresas que atuam no mesmo mercado. Em termos econômicos, são negócios com perfil de consolidação, nos quais um operador compra, incorpora ou se associa a outro participante da mesma atividade. Outras três representaram principalmente a entrada de um novo controlador ou investidor.

O transporte aéreo regular de passageiros foi o subsetor mais ativo, com seis transações. Serviços marítimos offshore e transporte marítimo tiveram três cada. Transporte rodoviário coletivo de passageiros e navegação de apoio marítimo registraram duas operações cada.

O retrato não é o de um único setor puxando a base. A atividade aparece em aviação, navegação, serviços marítimos, portos e transporte rodoviário. Foram 18 aquisições, cinco contratos associativos, três joint ventures, três aquisições de ativos, uma fusão, uma incorporação e duas reorganizações societárias.

Construção e imobiliário avançam juntos, mas por caminhos diferentes

Construção teve 14 operações adicionais e imobiliário, sete. Nos dois casos, o crescimento combinou movimentos societários e negociação de ativos.

Na construção, o M&A passou de 18 para 26 operações, enquanto as compras e permutas de ativos aumentaram de três para nove. O desenvolvimento e a incorporação de empreendimentos imobiliários concentraram 28 dos 35 processos do setor. A construção de edifícios apareceu em quatro.

No mercado imobiliário, o M&A passou de sete para oito operações, enquanto as transações com ativos aumentaram de cinco para 11. Fundos imobiliários apareceram em 11 processos, compra e venda de imóveis em cinco e locação de imóveis próprios em três.

Essa composição sugere dois movimentos simultâneos. Há consolidação e reorganização de sociedades, mas também compra direta de imóveis, projetos e participações em empreendimentos. Em construção, 21 operações ocorreram entre participantes do mesmo mercado. No imobiliário, foram 14.

Comércio recua nas aquisições

Comércio e reparação de veículos caiu de 71 para 62 operações. O M&A passou de 39 para 33 transações. As compras de ativos recuaram de 31 para 29 e não houve operação classificada como outros, ante uma em 2025.

Das 62 operações de 2026, 31 envolveram empresas que atuam no mesmo mercado. Outras 16 representaram principalmente a entrada de um novo controlador ou investidor. A queda, portanto, esteve mais ligada à compra de empresas do que à transferência de ativos comerciais.

O varejo alimentar, especialmente supermercados, concentrou 15 transações. Concessionárias e varejistas de automóveis tiveram seis. Outros segmentos do varejo e a distribuição de defensivos e fertilizantes registraram quatro operações cada.

As aquisições caíram de 36 para 25. Em sentido contrário, as joint ventures passaram de duas para quatro e o setor registrou dois contratos associativos, uma incorporação e uma reorganização societária.

Para o empresário, o número agregado importa menos do que a direção do próprio setor. Um mercado que cresce de forma concentrada premia quem chega preparado no momento certo: estar num setor aquecido não garante uma boa transação, e estar num setor em retração não impede uma boa saída para quem organizou a casa antes de precisar. Ler o movimento setor a setor, e não apenas o total, é o que separa uma decisão oportunista de uma decisão bem cronometrada.

Os negócios submetidos ao CADE não representam a totalidade das transações realizadas no Brasil. A JK Capital acompanha os atos de concentração protocolados no CADE e publica mensalmente o Radar do M&A (CADE), que organiza compradores, alvos, grupos econômicos, setores, subsetores e estruturas das operações. O Radar acompanha as operações sujeitas à análise concorrencial, em geral aquelas que envolvem grupos econômicos com faturamento acima dos limites previstos na legislação. Por isso, a base oferece uma visão relevante dos movimentos de maior porte ou realizados por compradores mais representativos, mas não contempla diversas transações menores que não atendem aos critérios de notificação.

Na análise de subsetores, foram apresentados apenas os segmentos operacionais mais ativos em 2026. Não foram feitas comparações com 2025, pois holdings, fundos e sociedades de participação podem estar corretamente associados ao setor, mas não revelam necessariamente o negócio operacional controlado. Para esta análise, aquisições, fusões, incorporações, joint ventures, contratos associativos, reorganizações societárias e formações de associação foram reunidos em M&A; aquisições, arrendamentos e permutas de ativos foram agrupados em ativos; dissoluções de joint ventures e encerramentos de contratos foram classificados como outros. Esses agrupamentos são utilizados apenas para a leitura editorial da base e não substituem a estrutura original de cada operação. Fonte: Radar do M&A (CADE), JK Capital. Dados de janeiro a julho de 2025 e 2026. Base revisada em 10 de agosto de 2026.

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